Via-Láctea - Poesias
Talvez
sonhasse, quando a vi. Mas via
Tudo ouviras, pois que, bondosa e pura
Tantos esparsos vi profusamente
Como a floresta secular, sombria
Dizem todos: "Outrora como as aves
Em mim também, que descuidado vistes
Não têm faltado bocas de serpentes
Em que céus mais azuis, mais puros ares
De outras sei que se mostram menos frias
Deixa que o olhar do mundo enfim devasse
Todos esses louvores, bem o viste
Sonhei que me esperavas. E, sonhando
"Ora (direis) ouvir estrelas! Certo
Viver não pude sem que o fel provasse
Inda hoje, o livro do passado abrindo
La fora, a voz do vento ulule rouca
Por estas noites frias e brumosas
Dormes ... Mas que sussurro a umedecida
Sai a passeio, mal o dia nasce
Olha-me! O teu olhar sereno e brando
Sei que um dia não há (e isso é bastante)
Quando te leio, as cenas animadas
Laura! Dizes que Fâbio anda ofendido
Vejo-a, contemplo-a comovido
Tu, que no pego impuro das orgias
Quando cantas, minh'alma desprezando
Ontem - néscio que fui! - maliciosa
Pinta-me a curva destes céus... Agora
Por tanto tempo, desvairado e aflito
Ao
coração que sofre, separado
Sonho
Longe de ti, se escuto, porventura
Leio-te: - o pranto dos meus olhos rola: -
Como quisesse livre ser, deixando
Quando adivinha que vou vê-la, e a escada
Pouco me pesa que mofeis sorrindo
Fonte:
Olavo Bilac - Poesias - Coleção Prestígio - Editora Tecnoprint S.A. - 1978